quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Actualização de links

Com algum (bastante) atraso, é actualizada a lista de links na barra lateral com os seguintes sites/blogues: HenriCartoon, Sine Die, Imprensa Falsa, Aspirina B, 442 e Machina Speculatrix.

Presunção de culpa

O ónus da prova, que obriga a Acusação a provar o que alega, é o corolário da presunção de inocência. Inverter o ónus da prova significa inverter esta presunção, ou seja, a presunção de inocência dá lugar à presunção de culpa, em que o acusado se presume culpado e, se não provar a sua inocência, é condenado.
Estou convencido de que muita gente não tem noção do que diz e do que está a defender...

Processo Penal para leigos

Joana Amaral Dias, na RTPN, acaba de dizer que tem de se inverter o ónus da prova e que isso já acontece quando, por exemplo, alguém tem, em Tribunal, de provar a sua inocência através de um alibi.
Em primeiro lugar, a inversão do ónus da prova é totalmente contrária aos princípios basilares de qualquer estado de direito democrático.
Em segundo lugar - e aqui compreendo a ignorância de JAD, que não é jurista - em processo crime o arguido não te de apresentar alibi nem qualquer defesa. A Acusação é que tem de provar o que alega e mostrar, por exemplo, que não poderia ter sido outra pessoa a ter praticado o crime. O princípio de que o silêncio não prejudica o Arguido, o de que a não apresentação de Contestação ou de Alegações no final do Julgamento, entre outros, são exemplos de como não tem de ser o Arguido a provar a sua versão, mas sim o MP o que alega na Acusação.
Repito: não compreendo como é que pessoas, como JAD, que condenaram Guantanamo são capazes de defender a inversão do ónus da prova em processo penal. Sinceramente não compreendo!

(publicado aqui)

Ironias ou mera coincidência?

Bem observado pelo CC: Helena Lopes da Costa, acusada de comportamentos pouco éticos enquanto vereadora em Lisboa, foi para a Comissão parlamentar de... Ética. E António Preto, acusado de negócios ilícitos com dinheiro vivo, foi para a Comissão parlamentar de... Orçamento e Finanças.
Das duas uma: ou alguém anda distraído no PSD ou estão a gozar com as pessoas. Triste PSD e triste Portugal...

O paradoxo

Ouvi há momentos, no Jornal da Noite da Sic, Magalhães e Silva dizer que o crime de enriquecimento ilícito, defendido e proposto por alguns partidos, é constitucional e que não inverte o ónus da prova. Para o efeito, dá o seguinte exemplo: um indivíduo compra uma enorme casa; o Estado (Finanças, por exemplo) investiga e não descobre fontes de rendimento que permitam tal aquisição; como não descobre como conseguiu o dinheiro para comprar o palacete, acusa-o por Enriquecimento Ilícito. E diz que, se for inocente, o indíviduo pode sempre "mandar parar o baile" (sic) e apresentar, por exemplo, o totoloto ou o euromilhões. E conclui que terá de ser o indivíduo a provar que o rendimento é lícito e que é isto que já acontece!

Terminei com um ponto de exclamação pois considero esta última análise simplesmente desfasada da realidade. Com todo o respeito, tal entendimento só pode vir de alguém que não faz Direito Criminal e desconhece as regras.
Antes de mais, o crime de enriquecimento ilícito obrigará a que seja invertido o ónus da prova. Não pode ser o acusado a provar a inocência, mas sim o acusador a provar a culpabilidade. No exemplo dado pelo ex-candidato a Bastonário da OA, teria SEMPRE que ser o MP a provar que o dinheiro tinha sido obtido de forma ilícita, nomeadamente provando que não poderia ter sido obtido pelo totoloto ou pelo euromilhões. Isto é, o MP tem de excluir, através dos meios probatórios, que a origem do dinheiro é ilícita. Se pudesse ter sido pelo totoloto, o MP teria que investigar essa possibilidade (e acabaria por descobrir que tinha sido pelo jogo e arquivado o processo). Ao não fazê-lo, não se pode inverter o ónus da prova e obrigar o acusado a provar que tinha sido pelo totoloto.
Bem sei que seria mais fácil assim. Aliás, o objectivo da proposta de criação deste novo tipo de crime é precisamente este: facilitar a vida a quem investiga e acusa. Mas ao cedermos a tais tentações estamos a desvirtuar um princípio básico do nosso direito constitucional e penal: o da presunção da inocência.

Já agora, se o dinheiro tivesse sido, por exemplo, obtido pela venda de estupefacientes, não seria o acto já punível a título de tráfico de droga? E - outro exemplo - se tivesse sido por lucros na Bolsa, não declarados às Finanças? Não estaríamos perante um crime fiscal, já consagrado e punível? É que, como referi da primeira vez que se falou neste novo crime, o enriquecimento ilícito mexe com actos já, por si, previstos e puníveis na legislação penal.
Uma última nota: não deixa de ser curioso observar pessoas que criticaram fortemente Guantanamo (um péssimo exemplo de violação dos direitos mais básicos) virem a público defender e propor a criação do crime de enriquecimento ilícito. É, no mínimo, paradoxal...
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Adenda: Rogério Alves, ex-Bastonário da OA, disse há momentos na RTPN que "para o enriquecimento ser ilícito, tem de haver um crime antes do enriquecimento e, como tal, já se pune esse ilícito." Como não se consegue punir o crime, pune-se o resultado desse crime, que é o enriquecimento, seja por tráfico, furto, ou por outra forma qualquer. Rogério Alves até ironizou com o nome da expressão, que se deveria chamar "enriquecimento frustrado"...

(publicado aqui)

Lavoisier, segundo Valupi

O meu estado de alma

Nunca ninguém conseguiu descrever tão bem o que penso do actual estado da política como o fez ontem João Pinto e Castro:

"(...) Desagradam-me a patente improvisação na definição de linhas estratégicas, a incompetência na coordenação de projectos de algum fôlego e a insistência em estendais de medidas sem nexo e de escasso ou nulo alcance. Indispõe-me, acima de tudo, uma certa atitude saloia perante tudo o que parece moderno e tecnologicamente avançado.
Acima de tudo, porém, distancio-me do modo como o PS faz política. Vejo - como toda a gente vê - a promoção pública de arrivistas medíocres cuja única recomendação é o cartão do partido. E apercebo-me - como toda a gente se apercebe - dos bandos de amigos sem ideal que circulam entre a política, os negócios e os media.
Tudo isso é verdade. Mas não é menos verdade que o cadáver putrefacto insepulto que é o actual PSD se encarrega de empestar tudo e todos à sua volta, esforçando-se por levar consigo para o túmulo o regime e a democracia liberal.
Aquilo a que por este dias estamos a assistir é à deterioração paulatina do nosso viver colectivo - e já não só do sistema político - friamente desejada e planeada por alguns que se ocupam de envenenar as consciências e destruir qualquer réstea de idealismo que ainda possa sobrar no país.
De modo que a prioridade de qualquer pessoa sensata tem que ser cerrar fileiras em torno dos princípios essenciais do Estado de direito e resignar-se a deixar para segundo plano divergências relativas a questões que a mim me interessam bem mais.
Por isso, eu digo como o Pedro: "Estou muito mais farto de gente que despreza valores e princípios fundamentais duma democracia. Gente que não percebe que isto nada tem a ver com luta política. Gente que gasta o tempo todo com intrigalhadas de vão de escada e se esquece de criticar políticas e apresentar alternativas." (...)"

Cavaco bipolar

O Sr. Silva mostrou-se ontem preocupado com o processo "Face oculta". Eu gostaria de saber é se também ficou preocupado com os processos "SLN/BPN" e "Operação Furacão", já que, sobre esses, nada disse...

A face oculta da Justiça

A questão das escutas a Sócrates e Vara esmiuçada aqui.

Política de bosta

Desde domingo que tenho uma bosta de cão praticamente a porta do prédio, no meio do passeio, onde passam dezenas de pessoas diariamente.
Não sei para onde vai o dinheiro que a Junta de Freguesia de Queluz envia para a empresa responsável pela limpeza da cidade, mas certamente não é para a limpeza.
Como referi aquando das eleições autárquicas, raramente se vê funcionários da limpeza nas ruas, estas estão sempre sujas e a porcaria não é limpa, apesar da propaganda mensal do executivo no Boletim da autarquia. É verdade que a culpa também é dos donos que, para além de não terem a educação e o respeito de não deixarem o cãozinho fazer as necessidades à porta dos outros, não têm o civismo de limpar a porcaria.
Esta é a realidade de Queluz. Por vontade da maioria...

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Leituras

"Às vezes confesso que ainda fico espantado com a duplicidade de critérios. Ainda me lembro do tumulto que houve recentemente com os emails do Público que foram parar ao DN. Neste caso houve quem estivesse preocupado em exclusivo com a forma ignorando por completo a relevância política ou o interesse público. Alguns são os mesmos que agora ignoram a forma -- escutas sem valor jurídico, divulgação em clara violação do segredo de justiça -- e acentuam a relevância política ou o interesse público das escutas a Armando Vara em que é apanhado José Sócrates. Moral da história? Os factos têm sempre pelo menos duas versões..."

(Paulo Gorjão)

Magusto


terça-feira, 10 de Novembro de 2009

A azia

No Trio D'Ataque (RTPN), Rui Moreira disse que o Braga foi roubado com o Rio Ave, mas esqueceu-se que, antes desse jogo, foi ajudado com Marítimo, Belenenses, Sporting e Benfica. Dizer que o Braga não tem, neste momento, mais pontos por causa das arbitragens é pura falta de seriedade.
Rui Oliveira e Costa, que tem a mesma acutilância nos comentários desportivos como nas sondagens, chamou a Lucílio Baptista o "senhor SLB", insinuando que tem ajudado o Benfica, quando a história prova precisamente o contrário.
Gosto do programa, mas ouvir baboseiras destas só me deixa contente, pois sei que se devem à azia dos seus clubes jogarem mal e estarem longe do Benfica, que joga bem. É pena é o Benfica não ter um representante como o Sílvio Cervan...

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

A Frota da Figueira

Foi mais difícil do que esperado, mas o Benfica acabou por vencer a Naval e igualar o Braga na liderança do campeonato. O resultado peca claramente por escasso, atendendo que o encontro foi um autêntico massacre (67% de posse de bola, 51 ataques contra 15 da Naval, duas bolas ao poste, 6 defesas enormes de Peiser...), com a Naval a meter não o autocarro à frente da baliza, mas toda a frota da Figueira da Foz...
Este foi um daqueles jogos em que o visitante, que aplica uma estratégia ultra-defensiva, merece sair goleado, como castigo do anti-jogo. Foi pena ter sido apenas um e só ao minuto 89. Era nitidamente um daqueles jogos em que, se o Benfica marcasse cedo, certamente marcaria muitos mais.

Com este resultado, o Benfica está em primeiro (apesar da desvantagem no confronto directo com o Braga), com 5 pontos de vantagem sobre um Porto em baixo de forma e 11 sobre o depressivo Sporting, que visitará na próxima jornada e, certamente, com novo treinador.
Este é um momento determinante na luta pelo título. Mais do que o aspecto psicológico (os dois rivais a jogarem menos bem e o Benfica muito sólido e a jogar bem), é a vantagem que dá para gerir certos encontros, sobretudo os embates com Sporting e Porto nas próximas jornadas. Não falo no Braga porque estou convencido que, apesar de jogar bem e ter uma boa equipe, acabará, mas tarde ou mais cedo, por ceder, como, aliás, aconteceu no sábado em Guimarães. Não se pode ganhar sempre com ajudas dos árbitros (Marítimo e Benfica, por exemplo) e mostrar a condição física que mostraram contra o Benfica.
O tempo dirá, mas penso que esta jornada será uma das mais decisivas desta época...

Isto só mesmo em Portugal!

Se Jorge Sousa tem um longo historial de roubos ao Benfica, Lucílio Baptista tem um ainda maior...
O árbitro setubalense não apita jogos importantes desde a polémica final da Taça de Liga em Março, onde assinalou uma grande penalidade inexistente a favor do Benfica. Na altura, escrevi isto e mentenho na íntegra. Sobretudo hoje, em que o Benfica, se vencer a Naval, volta ao primeiro lugar (em igualdade pontual com o Braga) e aumenta a vantagem para o Porto para 5 pontos (para o Sporting já nem vale a pena contar).

Ou seja, num dos jogos mais importantes da primeira volta do campeonato, o senhor Vítor Pereira escolhe para o jogo do Benfica um árbitro sportinguista e com o maior historial do futebol português de roubos ao Benfica! Coincidência? Obviamente que não!
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Adenda: apenas um exemplo das capacidades do Sr. Lucílio...

"Maus costumes"

António Ribeiro Ferreira, no Correio da Manhã, volta hoje à carga ao seu inimigo de estimação. Todo o texto foi feito sob a pena do ódio e da azia. Usa termos e expressões, por si repetidos semana após semana, unjuriosos e ofensivos. No fim, revela toda a tristeza em não haverem condenações.
Se ARF não gosta e sente-se mal em viver num "sítio horrível, pobre, deprimido, corrupto, manhoso e obviamente cada vez mais mal frequentado" e onde considera existir "uma normalidade execrável e podre", pode sempre emigrar para um país bem melhor, mais ao seu estilo. E que faça boa companhia a Medina Carreira e a todos os outros profetas da desgraça. Mas pelo menos que não nos chateei mais com a sua execrável azia.

A Selecção de Queiroz

Não quero dizer já mal da nossa Selecção, mas prefiro fazê-lo já, antes dos dois jogos do Play-off do que depois, caso as coisas corram mal, para não ser acusado de só aparecer quando corre mal...
Esta Selecção é cada vez menos a "nossa" Selecção" e mais a Selecção de Queiroz. As convocatórias são inexplicáveis e não compreendo como insiste em alguns jogadores e deixa de fora outros, em muito melhor forma do que alguns dos convocados.
A convocatória de ontem traz algumas novidades, mas prefiro analisar o "todo":

Baliza
Se Eduardo, que não é mais do que um upgrade de Ricardo (sai-se da baliza tão mal quanto o antigo guardião da Selecção), não constitui surpresa, já a chamada de Hilário não se percebe. Sendo suplente no Chelsea (e jogando pouco), Queiroz deveria ter chamado um com mais ritmo competitivo, como por exemplo Quim, que é titular do Benfica. Depois de Beto, suplente no Porto, agora é Hilário. E Quim continua de fora desde o tal particular do Brasil. Queiroz teima em culpar o guarda-redes encarnado, quando a culpa, nesse jogo, foi de todos e de si próprio.
Quanto a Rui Patrício, não tenho nada a dizer, apesar do mau momento do Sporting.

Defesa
Com Bosingwa lesionado, a escolha não é fácil para a lateral direita. Miguel não mais se viu ao nível do Euro 2004 e Paulo Ferreira está alguns furos abaixo e sem ritmo devido a prolongada lesão. João Pereira, apesar do seu péssimo temperamento e feitio, poderia ser uma boa alternativa. Para a esquerda, ainda estamos pior. Duda ('Merduda' para muitos - por só fazer m****) é um dos jogadore fetiche e até pode fazer 3 autogolos que continuará a ser chamado por Queiroz. Sinceramente não se compreende, quando temos Antunes, Gonçalo Brandão ou mesmo Miguel Veloso, todos eles bem melhores que o médio (adaptado a defesa por Queiroz) do Málaga. No centro, só agora Queiroz viu que Ricardo Costa (do Wolfsburg) tem jogado bem e sido titular dos campeões alemães, tal como tinha acontecido a Pedro Mendes: chamadas tardias. O que não se compreende mesmo é a chamada de Rolando, que é um defesa mediano e ainda ontem, pelo Porto, mostrou que não passará desse nível. Outro fetiche de Queiroz, apesar de não ser titular. Fernando Meira é outro dos ignorados pelo 'Professor'...

Meio-campo
Depois de Pedro Mendes, agora é Fábio Coentrão que é chamado depois de toda a gente ter percebido que já merecia uma chamada há algum tempo. Raúl Meireles, outro fetiche, continua a ser chamado, apesar de estar de rastos e jogar mal em todos os jogos do Porto e da Selecção, como ontem ainda se viu. Moutinho continua a merecer a convocatória, mas nunca sai do banco de suplentes, isto quando é (e está, neste momento) bem melhor que Meireles. Nuno Assis, convocado no último jogo, volta a ficar de fora, depois do excelente jogo de sábado (antes da convocatória - será que Queiroz viu o Guimarães - Braga?). Efectivamente, não se compreende.

Ataque
Se quanto aos extremos nada há a apontar (tirando, talvez, Ronaldo, devido às circunstâncias que se conhecem), quanto aos avançados-centro há muito a criticar. Liedson é, neste momento e apesar do mau momento no Sporting, a melhor referência para marcar golos. Mas as chamadas de Hugo Almeida e, sobretudo, de Edinho (o outro fetiche de Queiroz) não fazem sentido. Almeida é suplente no Werder Bremen e Edinho insiste em não mostrar qualidades suficientes para a Selecção. Sobretudo quando temos Nuno Gomes, Hélder Postiga ou mesmo Makukula, que ainda ontem voltou a marcar dois golos na Turquia (já vai, salvo erro, com 8 golos esta época, bem mais do que Almeida ou Edinho). Provavelmente não é chamado por estar emprestado... pelo Benfica.

Há muito que discordo das escolhas de Queiroz e os jogos insistem em mostrar alguma razão. Más exibições no início, performences sofridas nos últimos tempos, enfim... enormes dificuldades para ultrapassar selecções medianas ou fracas, como Malta, Albânia ou Hungria. E voltamos a não conseguir vencer um único encontro com os principais adversários (Suécia e Dinamarca), perfeitamente acessíveis.
Vou apoiar, como sempre o fiz e farei, a Selecção, mas que fique registado as minhas razões para estarmos longe do que nos era exigido.

domingo, 8 de Novembro de 2009

"O último bastião da confiança dos portugueses"

António Ribeiro Ferreira, o "Grande Repórter" (com maiúsculas) do Correio da Manhã que todas as semanas diz mal de Sócrates e só sabe dizer mal deste "sítio cada vez mais mal frequentado" (sic), confessa a sua esperança no salvador. Não, não é Marcelo Rebelo de Sousa. Sim, esse mesmo, o Sr. Silva, o homem que está acima de todas as suspeitas, o "último bastião da confiança dos portugueses". Esse mesmo, o homem das acções da SLN que valorizaram 140% e ainda hoje não explicou como...

Bem à portuguesa

Eduardo Pitta tem toda a razão, a postura de certas personalidades da nossa praça é tipicamente portuguesa: para criticar, dizer mal e culpar os outros dos erros e dos males do Mundo é fácil, mas quando é para avançar ou para contribuir para algo de melhor ou com uma ideia que seja para o bem do Mundo, desaparecem, voltando a aparecer mais tarde, quando os males voltarem ao Mundo. Triste...

sábado, 7 de Novembro de 2009

Leituras

"Durante meses, as oposições conseguiram instalar um conceito definidor do Primeiro-Ministro que pesou bastante no julgamento dos eleitores – Sócrates era um arrogante. Agora o que tem vindo a verificar-se é que a arrogância mudou de campo.
Ouvir neste momento qualquer líder da oposição é constatar a imagem do arrogante, um discurso arrogante e opressivo, uma atitude pouco séria e irresponsável. Isto é, a simples circunstância de o PS ter ganho as eleições, mas sem maioria absoluta, tem dado oportunidade para se ver alguns senhores debitarem de cátedra as maiores baboseiras. (...)
O PS encontrou-se com os líderes de todos os partidos políticos com assento parlamentar. Propôs-lhes a formação de governos de coligação, tendo em vista os altos interesses nacionais e a gravidade da crise que nos entorpece os movimentos. Pois bem, todos os partidos da oposição rejeitaram a hipótese de formação de um governo de coligação, rejeitaram a realização de acordos de incidência parlamentar e deixaram o PS com a responsabilidade isolada de solucionar as dificuldades do País.
A discussão na Assembleia do Programa de Governo foi um espectáculo deplorável. Os partidos da oposição despejaram a cassete usada na campanha eleitoral e reclamaram que o PS abandonasse, sem mais, as suas posições e alinhassem no jogo demagógico e insensato das suas reivindicações. Dito de outra forma, os partidos da oposição juram a pés juntos que bloquearão o Governo, não o deixando concretizar o seu programa. Em toda a Europa há governos de coligação que põem os interesses dos seus países acima dos seus interesses políticos directos.
Em Portugal regista-se o contrário. Todos querem fazer prevalecer os seus objectivos próprios e egoístas. (...)"

(Emídio Rangel)

Música da semana

Com o primeiro álbum ainda a render e o segundo ("Breakthrough") já a dar que falar, a jovem Colbie Caillat volta com um grande tema, que, pelos vistos (não vejo, por isso não sabia) até já integra a banda sonora de uma novela...
"Falling for you" até poderia ser um tema de Verão, não estivéssemos a entrar no Inverno. Mas serve para matar saudades da praia e do mar, do calor e do chinelo no pé, enfim... da melhor altura do ano...


Nota: na barra lateral está publicado outro vídeo, pois o original não permite a postagem.

Onde isto já chegou!...

Como ironiza Rogério da Costa Pereira, a vontade em tramar Sócrates é tanta que os jornalistas já nem têm noção do que escrevem e dizem. E se Cavaco tivesse ligado a Armando Vara? Também davam essa "notícia"?
Isto não deixaria de ser incrível, se não tivéssemos em Portugal, onde não há limites para a indecência e para a manipulação. Notem que a notícia não é o tema da conversa mas a mera conversa em si. Ou seja, basta Sócrates ter ligado para Vara que, só isso, já constitui uma "notícia", um facto relevante e digno de divulgação...

É preciso serem mesmo cegos para perceberem que, com este tratamento jornalístico, apenas ficam mal vistos perante a opinião pública, que, com a estória da inventona de Belém e o arranjinho com jornalistas de um certo jornal - denunciado pelo DN -, ficaram a perceber que, por detrás de uma estória ou de uma peça jornalística, existe um interesse, seja ele político, económico ou meramente pessoal (de vingança, por exemplo). Quem fica mal visto é o jornalista, mas o jornalista não entende isto, tanta é a cegueira...

Eu gostava era de ver este tipo de tratamento noutros casos. Olhem, por exemplo com as acções da SLN, adquiridas e posteriormente vendidas por Cavaco Silva e pela filha, com o lucro que se sabe. O Expresso apanhou-o a mentir (Cavaco tinha dito que não tinha dado ordens para venda e o semanário publicou uma carta, assinada por ele, a dar a ordem, obtendo um lucro fantástico) mas não houve um único jornalista neste país que fosse capaz (ou tivesse vontade...) e fazer umas quantas perguntinhas a Cavaco. Ai, mas se tivesse sido Sócrates!....


Triste jornalismo o nosso, que se deixa manipular ingenuamente por interesses de terceiros e entrar no jogo da pulhice, que se tornam cúmplices e co-autores desta vergonha nacional, desta nojice que se espalha como um vírus. Sinceramente, tenho vergonha dos nosso jornalistas. Se eles ainda tivessem um pingo de vergonha na cara...

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Entre pedras e tiros

"(...) No final de um longo processo de investigação, prevaleceram os argumentos dos responsáveis do Sporting que vincaram muito bem vincado, e logo em cima do acontecimento, que sendo o Benfica um clube muito popular e que sendo Sporting uma agremiação de origem brasonada e de gente das melhores famílias seria «de todo» impossível que fossem os seus adeptos a atirar as primeiras pedras.
E foi a esta conclusão que chegou também o Conselho de Justiça da FPF: «os adeptos da casa invadiram o terreno de jogo em fuga às tentativas de agressão, que incluíram arremesso de pedras, por parte da claque visitante.» (...)
Na noite de domingo, em Alvalade, o Sporting empatou com o Marítimo e, no final do jogo — que decorreu até ao fim… — e de acordo com os relatos da imprensa, sempre imparcial, houve «uma tentativa frustrada de invadir o hall vip», «tiros para o ar e jogadores sitiados no estádio» e uma acção policial «que só à bastonada e à lei da bala conseguiu repelir os adeptos em fúria».
A coisa foi brava. Segundo o superintendente Costa Ramos, da PSP, «a própria Polícia foi apedrejada e levou com grades em cima».
Impossível! «De todo», impossível! (...)
Os benfiquistas têm, aliás, várias dúvidas:
— Mas as claques dos outros clubes também atiram pedras?
— Mas, no Sporting, não é costume deles resolverem todos os conflitos internos através de enfadonhos jogos de cricket?
— E o que é que nós temos a ver com isso?
Isso mesmo. Sejamos desportistas. Parabéns ao Sporting pelo seu título nacional de juniores. (...)"

(Leonor Pinhão, ontem n'A Bola)

A razia de Alvalade

Tenho noção de que possa estar a meter a foice em seara alheia, mas não posso deixar de comentar o actual estado do Sporting...
A decisão de hoje de Paulo Bento se demitir do comando técnico dos leões não surpreende ninguém. Aliás, o contrário (manter-se à frente do Sporting) é que seria uma total surpresa.
Mas não foi o único a bater com a porta: Pedro Barbosa e Ribeiro Telles também apresentaram a demissão. E, aqui sim, pode ter sido uma surpresa, se bem que considero ter sido uma decisão acertada. Passo a explicar...

O problema do Sporting é estrutural e não conjuntural, como é, por exemplo, o do Benfica. Enquanto que na Luz há uma margem de manobra para investir e até mesmo arriscar um pouco (como foi este ano, ao não vender ninguém e investir em jogadores caros - mas de qualidade), em Alvalade não há receitas nem mercado para grandes investimentos e/ou projectos financeiros arrojados e ambiciosos (Tv, rádio, etc). O Sporting, para mal dos seus aficionados, é um clube com menos sócios e adeptos do que Porto e, sobretudo, Benfica. Ou seja, os investimentos no clube, em especial de empresas e de patrocínios, é bem menor do que nos rivais. E, claro, menos dinheiro traz menos conratações e menos jogadores de qualidade e salários mais baixos. Este é, a meu ver, o principal problema do Sporting e muito sinceramente não estou a ver como conseguirá dar-lhe a volta.
Mesmo assim e com um plantel baseado nos jovens formados no clube, Paulo Bento conseguiu, em 4 anos, 4 troféus, bem mais que os seus antecessores e, aposto, mais que os seus mais próximos sucessores. Porque sem ovos não se fazem omeletas e Paulo Bento até conseguiu fazer 4...

Compreendo que os adeptos estejam insatisfeitos com as medíocres prestações da equipe e, acima de tudo, com os empates e derrotas. Claro que ver o Benfica bem à frente e a jogar bonito e a marcar muitos golos não ajuda, mas ver o Sporting jogar tornou-se um sofrimento, como já me confessaram alguns amigos. Mas será a culpa de quem faz (ou não consegue fazer) as omeletas? Ou será de que não dá os ovos ao cozinheiro?
Em cima escrevi que as demissões de Barbosa e Telles foram acertadas. No caso do director desportivo, desde do início das suas funções que se percebeu que Pedro Barbosa - que foi um bom jogador - não tinha capacidade para exercer o cargo e o tempo veio comprovar isso mesmo. Quem pensou que Barbosa seria o Rui Costa (antigo jogador do clube, com a mística, etc) do Sporting, enganou-se. E agora sai pela porta pequena, ao contrário de Paulo Bento, apesar de fortemente contestado. Quanto ao vice-presidente, não esperava que fosse ele mas sim Bettencourt. Percebeu-se, desde as últimas eleições do clube, que a nova direcção era pouco ambiciosa e não teria a estratégia adequada para reverter o problema estrutural de que em cima falava. Aliás, não se compreende como é que uma situação destas pode acontecer...

Outro aspecto que poderá ter ajudado a este clima de depressão colectiva foi a subjugação a interesses alheios. Refiro-me à "panelinha" com o Porto, o que lhes garantiu segundos lugares, à frente do Benfica, o que condicionou a normal evolução de uma equipe com jogadores jovens e alguma qualidade e um treinador igualmente jovem, ambicioso e, também, de qualidade. Descansaram à sombra da bananeira, convencidos de que seria sempre assim e esquecidos de que o Porto fê-lo por interesse próprio, pois com o Apito Dourado necessitou de uma bengala para se aguentar em pé, continuando lá o Dom Corleone e a sua máfia, como ainda no sábado passado se viu em Braga. Aliás, penso até que o Sporting foi substituído nessa posição pelo próprio Braga, mas isso são contas de outro rosário...

O Sporting tinha um grande treinador e bons jogadores. Desperdiçou a oportunidade de, pelo menos, manter-se como um crónico candidato ao título e agora é visto apenas como o "grande" entre os candidatos à Europa. Claro que, como benfiquista, não me aborrece, mas considero que é negativo para o futebol português.

A mentira de Louçã


quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Fracos

Um amigo meu já me disse que os jogadores do Everton são "fraquinhos" e os ingleses são uma equipe mediana.
Para quem pensa que são "fraquinhos", recomendo este vídeo. A ver se mantêm a opinião...

Benfica na liga Europa

Depois do confronto com os hooligans do Minho, o Benfica enfrentava hoje um importante desafio. O Everton, sedento de golos e vitórias e, sobretudo, de uma desforra da humilhação do jogo da Luz (5-0), entrou como se esperava: mais pressionante e disputava os lances com maior determinação, mostrando estar mais forte do que no jogo cá, com Yobo e Baines recuperados. Mesmo assim, o Benfica soube aguentar a pressão e até criar algumas situações de perigo. Nos últimos 10 minutos da primeira parte, foram até os encarnados a controlar o jogo e a atacar mais, com o Everton a sentir algumas dificuldades em manter o ritmo inicial. Nos últimos minutos, Cardozo cabeçeia ao poste e Saviola, na recarga, atira para boa defesa de Howard. Estava lançado o mote para a segunda parte...
Com Maxi Pereira no lugar do lesionado Ramires (contei 3 cacetadas levadas pelo brasileiro, uma delas para vermelho, com o árbitro a punir Yakubu apenas com amarelo) e Ruben Amorim no meio-campo, à frente de Javi García, o Benfica passou a mandar no jogo e a dominar o meio-campo. O perigo rondava a baliza de Howard e sentia-se que, com um pouco mais de objectividade, o golo surgiria. Jesus Percebeu isso e lançou Aimar para o desgastado Fábio Coentrão). Mal entrou, criou logo lances de perigo, tendo Saviola, poucos minutos depois, aberto o marcador, com uma jogada de entendimento com Aimar e alguma sorte pelo meio, no ressalto que o isolou para rematar para o fundo da baliza.
Foi uma exibição personalizada, a equipe mostrou-se bem organizada (com excepção do lado direito da defesa, sobretudo com Amorim, que sempre deu muito espaço naquele lado, nomeadamente para cruzarem bolas para a área) e com a lição bem estudada. Foi uma sensação de déjá vu com o que se passou num outro estádio de Liverpool, Anfield Road, em 2006, com o Benfica a aguentar na primeira parte e Simão e Miccoli a marcarem na segunda.

Como já disse a vários amigos meus, acredito mais na Liga Europa no que na Liga, pois lá fora não há Jorges Sousas, Benquerenças, Lucílios Baptistas ou Pedros Proenças nem todos os outros amantes de fruta e chocolatinhos ou túneis com cães treinados e não vacinados. Bem sei que Jesus e o Benfica dão prioridade ao campeonato, mas se apostassem na Liga Europa, em primeiro lugar, certamente iríamos longe. Mesmo assim, veremos, se mantiverem sempre a mesma atitude, poderemos ir longe. Esperemos que sim.

O casamento homossexual (3)

Nos últimos dias voltou a discussão em torno deste melindroso tema. E muito se tem falado de um referendo sobre a questão, posição defendida pela Direita e pela Igreja Católica.
Antes de mais, quero comentar a legitimidade do referendo. Dizer-se que os portugueses já aprovaram o casamento homossexual ao votarem maioritariamente nos partidos que tinham nos seus programas de governo a alteração legislativa neste sentido é abusar do sentido de voto. Ao ter votado no PS, eu não estava necessariamente de acordo com tudo o que é proposto, bem pelo contrário. Na altura justifiquei o meu voto e há muitas propostas com as quais discordo. E acredito que a larga maioria dos eleitores vote em certo partido não pelo "todo" mas, em comparação com as alternativas, aquele ter, na generalidade, as melhores propostas. Aliás, quem concorda com tudo o que um partido defende, não tem opinião própria, pois considero ser impossível concordar-se com tudo.
Posto isto, penso que este argumento utilizado para negar o referendo é falacioso e abusivo.

Quanto à proposta em si, já aqui dei a minha opinião e fundamentei (nomeadamente do ponto de vista jurídico) a minha posição, pelo que remeto para aquele texto mais considerações sobre o merecimento da proposta. E também assinei a petição a favor do casamento homossexual.
O que interessa, agora, é debater o tema e não manipular a opinião pública, como se faz sempre nestes temas controversos, como foi o aborto...

Movimento de Cidadania Benfiquista

"(...) Todos nós, Benfiquistas, temos a responsabilidade de defender o nosso Clube no nosso dia a dia, e todos temos armas de intervenção.
Penso que está na altura de lançar um grande Movimento de Cidadania Benfiquista, que nos leve a ganhar este difícil combate. E não falo de uma associação formal, com reuniões e dirigentes, que só serviria para burocratizar e paralizar. Falo de um Movimento espontâneo, que consiste na participação activa de cada um de nós na defesa do Benfica, com as armas que cada um tenha e o impacto que cada um consiga, por pequeno que seja.
É claro que os blogs e os comentários aos mesmos são uma arma poderosa que já está a ser usada e com sucesso. É claro que a Benfica TV é importantíssima e já se começam a ver resultados práticos da sua existência numa subtil mudança de orientação da chamada comunicação social, que já não está sozinha no terreno para poder perpetuar mentiras e falsidades.
Mas muito mais pode ser feito. Sempre que se detectem em jornais, rádio e tv, situações concretas e factuais de desigualdade de tratamento, omissão deliberada de informação ou distorção de factos com o intuito plausível ou evidente de prejudicar o Benfica, nós podemos e devemos agir. Podemos enviar mails, cartas, faxes a protestar. Podemos intervir telefonicamente em alguns programas. No caso da RTP e RDP, existem provedores do espectador/ouvinte – e já uma vez o usámos com sucesso, quando foi possível “correr” com coroado da RDP por via de uma “chuva” de mails enviada depois daquele inenarrável comentário sobre o Chalana.
Podemos todos ver o Benfica TV, mudando de operador de TV se for necessário, aumentando o seu nível de audiências e tornando-o assim cada vez mais forte. Podemos comprar o Jornal do Benfica, permitindo por esta via que este cresça e se possa tornar no jornal de todos os Benfiquistas, e quiçá a médio prazo tornar-se diário e rivalizar no mercado com os três pasquins actuais. Podemos insistir com os nossos familiares e amigos Benfiquistas para que façam o mesmo. Podemos enviar SMS's em massa sempre que surja uma situação como a de Braga para levar os Benfiquistas à acção justa resultante da indignação. Podemos intervir em defesa do Benfica em redes sociais das quais façamos parte, como o Facebook, o Twitter.
É importante, para distinguir estas “acções de cidadania benfiquista” de uma mera gritaria, que sejamos tão factuais e concretos quanto possível. Não é só gritar “é uma vergonha”, é explicar o onde, o como, o quando, o quem, de forma a deixar a menor margem possível a contestações.
Fica feito o apelo. Que cada um de nós interiorize que é membro activo do Benfica e inicie as acções relevantes com as quais possa contribuir para este Movimento de Cidadania Benfiquista.
Parafraseando JFK, “Não perguntes o que o Benfica pode fazer por ti, mas sim o que tu podes fazer pelo Benfica”.
Por um Benfica Campeão."

(Artur Hermenegildo)

Concordo

Tal como o João Carvalho, concordo por inteiro com esta proposta de José Medeiros Ferreira. Certamente que o nosso jornalismo melhoraria.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

A Presunção de culpa (2)

Deixei de ler a sua crónica semanal no JN pelos motivos que quem costuma ler-me conhece. Mas tendo recebido por e-mail o desta semana, sobre o processo "face oculta", não posso, mais uma vez, deixar de corrigir alguns erros crassos de Mário Crespo:

1. "A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça."
Mário Crespo confunde uma despacho de acusação com uma sentença. Uma Acusação é um conjunto de factos imputados aos arguidos (supostos autores dos factos), Acusação essa que será (ou deverá ser) alvo de Contestação e será analisada em julgamento, juntamente com a prova apresentada pela Defesa, em igualdade de armas. E, como sabemos, grande parte das acusações não se provam em julgamento, por não terem a correspondente prova...
Quanto ao segredo de justiça, Mário Crespo mostra-se contra. Pelo menos neste tipo de "roubalheiras". Pode sempre propor ao Governo e à AR a revisão do Código de Processo Penal nesta matéria (aproveitando, inclusive, a que será feita em breve) para exigir, como cidadão revoltado com estas roubalheiras, o fim do segredo de justiça. Publique-se e anuncie-se tudo. Mas mesmo tudo! Aí é que seria engraçado.
Mas Mário Crespo volta, aqui, a incorrer no mesmo erro: o que vem a público é apenas uma parte da história e não o "todo". Este, só será conhecido no julgamento e, aí sim, se provará ou não essa parte da história. O que Mário Crespo parece propor é condenar, desde logo, os suspeitos mas com base apenas nas suspeitas. Aliás, julgados para quê? Nem deveriam ter direito a defesa! E a advogado, ainda menos!

2. "O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas".
Repito, ainda não sabemos se deram Mercedes. O MP diz que sim, mas o Tribunal é que decidirá, depois de ouvidos os arguidos. No final, saberemos e, aí sim, o país terá que saber o que REALMENTE se passou e não apenas o que alguns dizem se ter passado.

3. "Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação."
Sim, a Justiça é lenta, por isso o melhor é serem já condenados nos jornais e na praça pública.
E, claro, já faltavam os advogados e a sua "panóplia de artifícios dilatórios"... O MP tem, por exemplo, 8 meses ou 1 ano, após o início do Inquérito para deduzir Acusação, mas a esmagadora maioria das vezes leva muito mais tempo (2,3 ou mais anos), já que a Lei, por omissão, permite que não aconteça nada em caso de atraso. Ou seja, se o magistrado precisar de mais tempo para investigar o caso, tudo bem, mas se for a defesa que precisar de, por exemplo, mais um mês para, por exemplo, que se realize uma perícia não realizada durante o Inquérito, já é uma manobra dilatória, uma manha de advogado. O melhor, para Mário Crespo, é mesmo os arguidos não terem direito a advogado. Rasgue-se a Constituição e o direito fundamental de qualquer estado de direito democrático à defesa!

4. "Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)""
Mais à frente, faz a mesma crítica a Cavaco, mas se estes se tivessem pronunciado sobre casos concretos, Mário Crespo e muitos outros cairíam sobre eles por se terem imiscuido na Justiça e violado o princípio da separação de poderes...


Tudo o resto é um destilar de vingança, que não merece ser comentado, como tem feito recentemente (aqui, aqui, aqui ou aqui). Freeport (claro), BPN, Casa Pia, enfim, vai tudo ao molho e sempre no mesmo sentido: os julgamentos e o estado de direito são uma treta.
Mário Crespo pode ir buscar Medina Carreira e imigrarem, já que só sabem dizer mal do país e de toda a gente e de profetizar a desgraça de todos nós. Triste.


Nota: a ler "A presunção de culpa".

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

PortoTv (2)

Já que a PortoTv... perdão... SportTv não esmiuçou os "incidentes" do túnel no Braga - Benfica, temos de agradecer à SIC esse trabalho, no qual, para além das já referidos agressões (Ney e Mossoró do Braga a Cardozo), podemos ver:
- Elementos do banco do Braga encostam-se a Saviola (este não faz nem diz nada) e tem de ser o árbitro assistente José Ramalho a afastar os elementos bracarenses e a empurrar Saviola para o balneário; e
- Vandinho, capitão do Braga, dá um pontapé no adjunto do Benfica, Raúl José, depois de vários elementos do Braga (jogadores e técnicos) irem ao encontro dos jogadores do Benfica.

A acrescer a isto, a SIC mostra claramente que o assistente José Ramalho viu as agressões de Ney e Mossoró a Cardozo e que o agente da PSP que se encontrava no local até fugiu, em vez de cumprir as suas funções (pela quais aufere rendimentos) de manter a segurança!
Ao ver as duas agressões, o assistente teria obrigatoriamente que informar o árbitro Jorge Sousa do ocorrido, para este expulsar (como fez com Cardozo e André Leone) os dois jogadores. Isto significaria, pois, que o Braga entraria para a segunda parte não com 10 mas com 9 jogadores (um a menos que o Benfica), já que Mossoró voltou para o segundo tempo.

Como já alguns (o Luís Fialho, por exemplo) escreveram, o Braga esta época adoptou um comportamento idêntico ao clube do Guarda Abel (lembram-se do Guarda Abel?), ameaçando, "picando" e provocandos os adversários, agredindo e com a Polícia e os árbitros a serem coniventes, sem nada fazerem, como, aliás, se pode ver nestas imagens...
Em suma, temos um treinador a lançar achas para a fogueira, ainda antes do jogo, com palavas provocatórias, temos jogadores a provocarem adversários (o rufia João Pereira nisso é exímio, sobretudo contra o Benfica, devido à azia de ter sido dispensado do clube da Luz há alguns anos), jogadores a agredirem jogadores e técnicos adversários, elementos da segurança privada (que patrocina o clube minhoto) a agredirem jogadores visitantes, enfim, todos contra o Benfica.

Tenho amigos de Braga (o Sérgio, co-autor deste blogue, por exemplo) e sei que não se identificam com este tipo de violência e vandalismo. E que não querem ver estes hooligans a representar as cores do clube da sua terra. Porque são pessoas civilizadas e não trauliteiras, da época do Neandertal.
Fico, pois, à espera que a queixa-crime intentada pelo Benfica avançe e contra todos, seguranças, jogadores, etc. Porque a impunidade não pode prevalecer num estado de direito democrático.

Adenda: e como diz o Benfica Eagle (de onde rapinei o vídeo), "obrigado SIC!"

Portugueses de segunda

Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa, 21:00. A Juíz manda entrar o Arguido para ser julgado. Este, a ressacar da droga e a contorcer-se de dores, não se encontra em condições de ser julgado. A audiência é adiada e a Juíz manda chamar uma ambulância para levar o Arguido ao Hospital, visto estar a sofrer.
Passados alguns minutos, o agente da PSP (que se recusou a levá-lo ao hospital, alegando não ter autorização para tal) que ficou de chamar uma ambulância, informa o Tribunal de que o INEM se recusou a enviar uma viatura. Tentou junto dos Bombeiros, que também se recusaram e sugeriram a Cruz Vermelha. Tentou a Cruz Vermelha, que reenviou para os Bombeiros...
O episódio e todo este historial ficou registado em acta e ainda bem porque pode dar jeito...

A verdade é que ninguém quis ajudar o pobre desgraçado nem ter dores de cabeça com a ressaca dele, mas a verdade é que a ressaca da droga constitui uma situação clínica de dores agudas, calafrios, má-disposição, já para não falar no sofrimento emocional. Tudo isto pode - e deve - ser diminuído com o tratamento adequado. Não sou médico, mas entendo que não é necessário ter formação neste campo para perceber isto Tal foi recusado neste caso, o que é grave. Todos os portugueses devem ser tratados de igual, não como sendo de primeira ou de segunda...

A natureza do tuga

Nos últimos tempos, descobrimos como funciona a arbitragem portuguesa: corrupção, troca de favores, ofertas, brindes e prendas, dinheiro em envelopes, decisões (nos jogos) claramente intencionais e prejudiciais em relação a uma das duas equipes, enfim... tudo aquilo a que assistimos há anos.
A larga maioria dos árbitros são honestos e briosos. Mas essa larga maioria arbitra nos escalões inferiores. Precisamente por não se deixarem envolver em negociatas nem aceitarem pedidos de favores (com as respectivas conpensações), não passam da cepa torta, continuando nos últimos escalões, apitando jogos entre amadores de bairro e ganhando meia dúzia de euros para a gasolina que gastam a ir ao estádio...
Vasco Santos - que na semana passada soubemos como subiu até ao primeiro escalão da arbitragem - é apenas um exemplo, um dos poucos que veio a público, de como a cunha, os favores e as recompensas por tais favores decidem o futebol português. E, claro, basta ver quem são os habitualmente prejudicados e favorecidos pelas decisões destes senhores para se perceber quem "pede" mais favores...

A culpa também é dos adeptos, que não querem saber como vencem, desde que ganhem. O fanatismo cega e impede que vejam que, muitas vezes, conseguem a vitória com estas ajudas externas. A batota, para esses, não interessa. O que interessa, apenas, é ganhar...
Os adeptos que não se importam (muitos até ficam contentes) com a batota são os mesmos que votam nos isaltinos e nos valentins deste país, não querem saber da batota, dos favores, das prendas e dos brindes, dos envelopes ou das contas na Suiça, o que interessa é ganhar os jogos ou que o seu autarca faça obra.
Os adeptos que não se importam com a batota são os mesmos que metem cunhas para os filhos, seja para arranjar um emprego - e por isso é que as nossas empresas não competem no estrangeiro, onde o é o mérito que decide quem sobe na hierarquia e não a cunha -, seja meter uma cunha com o agente de autoridade que o apanhou em excesso de velocidade. Quase todos os portugueses metem, se puderem, uma cunha para verem a sua vida melhorada, nem que seja apenas um pouco...

O problema não é apenas do futebol. É da nossa mentalidade, enquanto povo. O problema é geral, em tudo na vida. Queixamo-nos dos nossos governantes e políticos, mas eles são apenas a imagem do povo que representam. São o espelho da nossa sociedade, uma sociedade de cunhas, favores, corrupção, dos Freeport's, dos BPN's, da Operações Furacão, das "Faces Ocultas", das Portucales ou dos submarinos. Medina Carreira pode ser um dos profetas das desgraça e só saber dizer mal e prever o apocalipse, mas numa coisa tem razão: Portugal é um grande BPN".
Esta é a natureza do tuga. A nossa natureza. E enquanto não a mudarmos continuaremos como estamos, na cauda da Europa, com os nossos valores a definharem...

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

PortoTv

Sinceramente não sei dizer quem é mais parcial: se a BenficaTv, se a SportTV...
No Braga - Benfica voltaram a manipular imagens e comentários. Repetiram até à exaustão um lance com Saviola, procurando desesperadamente por uma possível agressão do jogador do Benfica. Tiveram azar, não houve nenhuma. Mas tiveram várias (3!!!) ao intervalo, no acesso ao túnel, mas essas nem uma repetição deram. Porque será?
Cardozo foi agredido pelos jogadores bracarenses Ney e Mossoró (nenhum foi expulso pelo árbitro) e, juntamente com Ramires, por um elemento da empresa de segurança do clube minhoto. Mas essas imagens não mereceram uma única repetição por parte da PortoTv... perdão... SportTv. Teve que ser a BenficaTV a mostrar e em câmara lenta os incidentes, imagem que foi reproduzida pelo jornal A Bola, onde se vê claramente Cardozo a levar um chapadão na cara. Fica, para além disso, a pergunta: porque foi espulso Cardozo?

A SportTv desde o início que tem uma preferência clubística (Porto, clube de que os donos da estação de televisão são sócios) e sempre teve uma dualidade de critérios e parcialidade patente. A sorte deles é que temos uma ERC que por vezes mais parece não existir...