A entrevista de Manuela Moura Guedes ao Bastonário da Ordem dos Advogados foi a pior (mas, ao mesmo tempo, a mais divertida) que poderia ter acontecido à sub-directora de informação da TVI.Tenho feito aqui muitas críticas ao meu colega Marinho Pinto, quase todas quanto à forma como diz as coisas e como se exprime. Por muita razão que possa ter nas afirmações que faz, não tem a postura que se exige a um Bastonário nem o comportamento que se espera de alguém com a sua formação.
Todavia, tem toda a razão neste caso. Tudo o que disse é verdade e, diga-se a bem da justiça, que Manuela Moura Guedes já merecia há muito ouvir o que ouviu na sexta-feira. É totalmente parcial, de isenta, rigorosa e objectiva não tem nada, comenta os assuntos em tema jocoso, insulta e falta ao respeito aos convidados, faz tudo o que um jornalista não pode fazer. E fá-lo porque é casada com o patrão, senão certamente não estaria lá. Porque dizer que aquilo é péssimo jornalismo é ser amigo, porque aquilo nem jornalismo é...
Mas o curioso é que, finalmente, alguém disse aquilo que ela merecia ouvir, já que, até agora, quase ninguém teve a coragem de por o dedo na ferida e chamar os bois pelos nomes.
Primeiro, foi João Marcelino, em editorial do DN, que tocou no assunto: "Sei que não é politicamente correcto dizê-lo, e a TVI é muito mais do que "aquilo", felizmente, mas "aquilo" é a desonestidade intelectual elevada a um nível sem precedentes. Coragem é outra coisa e não precisa de ser proclamada. Já agora: na ERC e na Comissão da Carteira não há ecrãs para ver este crime de lesa-jornalismo permanente à sexta-feira?"
Quatro dias depois, foi o Juiz Desembargador Rui Rangel no Correio da Manhã: "O que a TVI e Manuela Moura Guedes têm feito, no jornal das sextas-feiras, é perseguição pura e dura a Sócrates, não é jornalismo. O casal Moniz serve-se deste órgão de Comunicação Social poderoso para fazer campanha política. É arrepiante o que se passa às sextas-feiras nesta estação, com as peças montadas e articuladas ao sabor dos comentários da pivô do jornal. Este jornal da TVI está transformado numa máquina para triturar Sócrates e para assassinar o seu carácter, sem respeito pelas garantias básicas deste cidadão, que também tem direito ao seu bom-nome. (...)
Os olhos, o rosto, o fácies, os trejeitos na cadeira e a incomodação de Manuela Moura Guedes são escandalosamente visíveis. E estes também são elementos estimáveis na apreciação de uma informação séria, isenta e responsável, o que não é o caso. Incomoda este espectáculo."
Há cerca de um mês foi o seu irmão, Emídio Rangel, também no Correio da Manhã e o tom foi sempre a subir: "Será que Moniz não vê o ‘Jornal Nacional de Sexta-feira’? (...)
O referido é um espaço onde, por regra, se desrespeitam os códigos profissionais do jornalismo: há um desprezo sistemático pelo exercício do contraditório, há ‘notícias plantadas’ que são infâmias embrulhadas como factos provados. Aquele espaço, em muitas circunstâncias, faz mais lembrar ‘O Cabaret da Coxa’, tantos são os atropelos jornalísticas que nele se praticam, ao tentar impor um modelo sensacionalista, tendencioso e de mau gosto."
E, na sexta-feira, foi o Bastonário Marinho Pinto...
1 comentários:
Caro Ricardo, totalmente de acordo!
Abraço
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